Autores Brasileiros

Olavo Bilac

Ora (direis) ouvir estrelas! Certo/ Perdeste o senso... é o início de um dos poemas mais famosos do país. Difícil encontrar um brasileiro que não saiba esses primeiros versos de cor, ou, ao menos, que jamais os tenha escutado. Tanto no meio erudito quanto no popular, o sucesso alcançado pelo livro Poesias, lançado em 1888, foi imediato. Com ele, o movimento parnasiano atinge seu ápice, consolidando a tão almejada superação do Romantismo, visto, a essa época, com seu apelo à espontaneidade e a um sentimentalismo fácil, como decadente. Influenciado pelos mestres franceses (sobretudo Théophile Gautier e Leconte de Lisle) e pela tradição lusitana, OLAVO BILAC valorizou a perfeição técnica, cujas manifestações se caracterizam por uma sintaxe conforme à gramática portuguesa, pela rima rica e pelas formas fixas escultóricas: raramente, sua ourivesaria poética foi igualada. Eleito, em 1913, por um colegiado de escritores, o Príncipe dos Poetas Brasileiros, ele teve a alegria de ver seus poemas serem os mais lidos nos saraus e salões literários da virada do século XIX para o XX, o que mostrava a grande popularidade de seus versos.

OBRAS

Poesias (1888); Crônicas e Novelas (1894); Crítica e Fantasia (1904); Conferências Literárias (1906); Discursos (1915); Ironia e Piedade (1916); Dicionário de Rimas (1913); Tratado de Versificação (1910); Tarde (1919); Últimas Conferências e Discursos (1924); Poesia (1957).

A POESIA COM GRANDE PÚBLICO

“Ao contrário dos seus gloriosos companheiros, que tatearam com indecisões a cidadela da forma, Bilac, ao estrear com o seu volume de Poesias, aos vinte e três anos, se apresentava no maior rigor da nova escola, e, no entanto, com uma fluência na linguagem e na métrica, uma sensualidade à flor da pele que o tornavam muito mais acessível ao grande público.” (Manuel Bandeira, Apresentação da Poesia Brasileira)

UM DOS ÁPICES DA POESIA NACIONAL

“Olavo Bilac foi a figura culminante de uma das fases mais ricas da poesia nacional, a parnasiana. [...] O Parnasianismo e Bilac continuam a viver na admiração de apreciável parcela do povo brasileiro, como comprovam as sucessivas reedições de seus livros. Muitos de seus versos se tornaram proverbiais, citados até por pessoas que jamais os leram e só os conhecem de oitiva, de citações.” (R. Magalhães Júnior, O Autor e sua Obra)

NOTA: Obras em Domínio Público

Extrato da obra Língua Portuguesa

Última flor do Lácio, inculta e bela,/ És, a um tempo, esplendor e sepultura:/ Ouro nativo, que na ganga impura/ A bruta mina entre os cascalhos vela...// Amo-te assim, desconhecida e obscura,/ Tuba de alto clangor, lira singela,/ Que tens o trom e o silvo da procela,/ E o arrolo da saudade e da ternura!// Amo o teu viço agreste e o teu aroma/ De virgens selvas e de oceano largo!/ Amo-te, ó rude e doloroso idioma,// Em que da voz materna ouvi: 'Meu filho!',/ E em que Camões chorou, no exílio amargo,/ O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

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